Paródias, paródias, paródias... Paródias banindo tudo. Sentimentos importados. Desimportam os contextos. Atenha-se ao texto. Reviver tem lá sua originalidade. Deja vu? Nunca se viu com a atenção devida.
Como você se vê, nesse exato instante? Não me venha com assertividades. Não se defina. Não se definha vidas com fatalidades. Prova é que está bem viva.
O que deseja que te sirva? Café ou vinho? Dor ou dormência? Nada está em falta. Não se reprima por isso. Nunca já é tarde demais. Desça do palco e se dispa das tragédias que nunca bastam.
Como sei de tudo isso? Por não ser arrimo de família,fui o mimo de minha mãe. A vida sempre nos dá compensações. No que o mundo masculino me excluia, você, mulher, foi se tornando minha vida, predileta.
Assim como você, ela, minha mãe, também foi linda e, naturalmente, temida. Tanto que acreditou ser uma temeridade ser a mulher que queria ser. Quando ela quase foi, o homem muito branco, nada brando, lhe disse: seja como a sua mãe (sem saber na verdade quem era ela, a mãe). Ou seja, não seja, mulher. Foi então que se sucedeu a sua não vida. Quase como um Cristo, dos seus dezesseis aos sessenta anos de idade, não se pode narrar o que ela foi. Exatamente, sabe-se o que ela deixou de ser.
A sombra, sem sombra de dúvidas. À título de sentir pena de si mesma, se intitula velha e viúva. Vive em paz com suas desistências?
Ainda não sou velho e não estou viúvo, a não ser de mim mesmo. Não lamento nenhum dos que morri. Não sou homem de lutos. Luto contra os dias e me comprazo em matar a solidão das noites.
